Como a CazéTV transformou audiência em comunidade

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Como entender seu público-alvo permite criar comunidades de alta relevância

A CazéTV é um dos maiores exemplos de como a comunicação mudou nos últimos anos. Durante muito tempo, as marcas precisavam apenas de popularidade para se manterem relevantes. Bastava aparecer, ser lembrada e ocupar espaço na mente do consumidor. Hoje, isso já não é suficiente.

O cenário digital mudou. As pessoas deixaram de buscar por meros produtos e passaram a procurar identificação, pertencimento e conexão. Nesse novo contexto, as marcas que mais crescem são aquelas que conseguem construir comunidades, e não apenas audiência.

Entender o público-alvo continua sendo importante, mas o verdadeiro diferencial está em ir além dos dados básicos e compreender como esse público pensa, consome, interage e se relaciona com o mundo ao seu redor.

A ascensão das microcomunidades

Esse movimento já é visível nas redes sociais. Marcas investem em canais de transmissão no Instagram, criadores abrem o close friends para se comunicar de forma mais íntima e empresas passam a adaptar sua linguagem para nichos específicos.

Mais do que uma tendência, trata-se de uma mudança no comportamento de consumo.

O que dizem as pesquisas?

Segundo a pesquisa Gen Z’s Drive Toward Niche Pushes Brands to Change Strategy, publicada pela Axios (2024), 51% dos jovens afirmam valorizar o sentimento de pertencimento a comunidades ligadas a marcas, enquanto 53% se mostram mais propensos a experimentar produtos recomendados por esses grupos.

Outro estudo, publicado pela ResearchGate/IJFMR (2024), mostra que a geração Z prioriza autenticidade e transparência na relação com as marcas.

Na prática, isso significa que as pessoas querem sentir que fazem parte de algo maior. E as empresas que conseguem criar esse sentimento ganham não apenas consumidores, mas defensores da marca.

CazéTV: quando entender o público gera comunidade

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Time da CazéTV comemorando um gol

Um dos exemplos mais fortes desse fenômeno no Brasil é a CazéTV.

Desde o início, o canal entendeu que o futebol na internet não precisava seguir o mesmo modelo da televisão tradicional. Em vez de uma comunicação distante e formal, apostou em humor, espontaneidade, linguagem da internet e participação ativa da audiência.

O resultado foi a criação de uma comunidade extremamente engajada, que, além de acompanhar os jogos,  também se envolve com as histórias, os memes e os personagens que surgem ao longo das transmissões.

A estratégia da CazéTV que ampliou a conexão

Na cobertura da Copa do Mundo de 2026, a CazéTV levou essa ideia ainda mais longe com o Projeto Creators.

Em vez de pedir que todos os criadores falassem de futebol da mesma forma, o canal respeitou a identidade de cada comunidade.

Julio Cocielo produziu conteúdos focados em memes e reacts. O Manual do Mundo explorou curiosidades e aspectos técnicos da competição. O Chef Otto abordou a gastronomia relacionada ao evento. O PodDelas trouxe discussões voltadas ao público feminino, enquanto o Enaldinho produziu conteúdos direcionados ao público infantojuvenil.

A estratégia demonstra que entender o público não significa falar a mesma coisa para todos, mas adaptar a mensagem para diferentes grupos sem perder a essência da marca.

O caso Vozinha: o impacto da comunidade construída pela CazéTV 

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Goleiro Vozinha segurando a bandeira de Curação

Foi nesse ambiente que surgiu uma das histórias mais marcantes da Copa.

Aos 40 anos, o goleiro Vozinha disputou sua primeira Copa do Mundo defendendo Cabo Verde. Contra a favorita Espanha, fez uma atuação histórica e ajudou sua equipe a conquistar um empate por 0 a 0.

A CazéTV compartilhou sua trajetória, destacou sua história de superação e incentivou o público a acompanhar o goleiro nas redes sociais.

O impacto da cazéTV  foi impressionante

Antes da repercussão, Vozinha possuía cerca de 50 mil seguidores em seu Instagram.

Após a divulgação da sua história pela CazéTV e o engajamento da comunidade, esse número ultrapassou a marca de 15 milhões de seguidores.

Mais do que números, esse caso revela um insight relevante, as pessoas não compartilharam apenas um jogador, compartilharam uma história com a qual se identificam.

A audiência deixou de ser espectadora e passou a participar ativamente da narrativa.

O que as marcas podem aprender com isso?

O sucesso da CazéTV e o fenômeno Vozinha mostram que relevância hoje não nasce apenas de alcance.

Ela nasce da capacidade de:

  • Entender profundamente o público;
  • Falar a linguagem da comunidade;
  • Criar espaços de pertencimento;
  • Valorizar histórias reais;
  • Permitir que as pessoas participem da construção da marca.

Cada vez mais, as marcas precisam deixar de ver seus consumidores apenas como compradores e passar a enxergá-los como membros de uma comunidade.

Conclusão

No marketing atual, quem cria audiência pode até ganhar visibilidade. Mas quem cria comunidade conquista algo muito mais difícil de copiar: relevância duradoura.

A trajetória da CazéTV prova exatamente isso. Ao entender seu público em profundidade e transformar espectadores em participantes, o canal construiu uma das comunidades mais fortes da internet brasileira.

E o caso Vozinha deixa uma lição clara: quando existe conexão genuína, uma simples recomendação pode se transformar em um movimento capaz de mudar a vida de alguém e fortalecer ainda mais a relação entre marca e comunidade.

Na Marketing Júnior USP, ajudamos empresas a identificar oportunidades, compreender melhor seus consumidores e desenvolver estratégias alinhadas aos objetivos do negócio e às expectativas do mercado.

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